Este post tem 50% de um sentimento pessoal, apesar de acreditar que muitos se identificarão com o aqui espelhado….
Viajar a dois… sem filhos e sem sentimento de culpa.
Cuidar de si acima de tudo, uns dias para colocar o corpo e a mente alinhados, encontrar a válvula de escape.
Cuidar da relação do casal é tão importante para a família quanto cuidar dos filhos.
PAIS FELIZES criam FILHOS FELIZES!
Ser mãe/pai não é o único papel na família. Vários autores referem que com a maternidade/paternidade nascem sentimentos de protecção/culpa/frustração/fracasso (porque não amamentou, porque não pôde prolongar a licença de maternidade, porque deixou a criança mais cedo no colégio para trabalhar, porque a sua criança foi a última a sair do colégio porque uma reunião inesperada se prolongou… porque tem de viajar em trabalho e não pôde recusar…porque… porque…).
Não esquecendo do juízo de valor de algumas pessoas que criticam os pais que viajam sem filhos, sem lhes ser pedida qualquer opinião, e que os deixam com avós/padrinhos/tios…
Se a escolha forem os avós (o meu caso), estou certa que lhes estou a oferecer uma prenda de natal antecipada. Eles transbordam de amor pelos netos e anseiam passar mais tempo com eles, mimá-los, fazer-lhes as vontades, especialmente sem nos ouvirem dizer que os estragam de tanto mimo.
Ao mesmo tempo, dão mais valor ao nosso quotidiano, como pais, pelas inúmeras travessias e contornos a que estamos sujeitos para cumprir a nossa função de Pais.
Os sentimentos de culpa/frustração/ fracasso provêm especialmente dos pais que se preocupam com tempo de qualidade com os filhos. Dos que se desdobram para os acompanhar em todas as actividades, dos que fazem questão de estar presentes sempre que lhes é solicitado, dos que não falham uma reunião/festa escolar, dos que organizam a vida familiar em função de todos os membros da família, dos que acompanham os estudos (seja nos TPC seja nos trabalhos de grupo), dos que após um dia de trabalho intenso ainda têm disponibilidade para uma brincadeira, dos que tratam da casa das refeições e da roupa, dos que fazem questão de contar uma história para os adormecer…
São esses pais que se sentem pior com o possibilidade de programarem uma viagem a dois, mas também são esses que mais precisam de momentos a dois.
Certamente, que só de pensarem em estar longe dos filhos lhes passa um turbilhão de sentimentos, pensamentos e um aperto no coração.
Não digo que é certo ou errado viajar a dois… Apenas afirmo que o nascimento de um filho é uma prova de fogo de “sobrevivência” à união do casal, pois tudo o que era programado a dois passa a ser adaptado para três ou mais.
O mesmo se passa com o quotidiano e durante o crescimento dos filhos, que nem sempre permite o espaço que o casal precisa para se manter cúmplice como homem e mulher.
Criar e educar é fundamental e necessário, mas só quem o realmente faz diariamente sabe o quão difícil, exigente e desafiador é.
Acredito, por experiência própria, que quando nos passamos a dedicar de corpo e alma aos nossos filhos e ao nosso lar, ainda que esses momentos sejam insubstituíveis e únicos, nós também precisamos de ter os nossos momentos para relaxar, repensar, mas especialmente para receber energia e fôlego para continuar o caminho.
Viajar a dois permite aproveitar o momento e fazer tudo o que não se faz quando nos fazemos acompanhar dos nossos filhos.
Viajar a dois permite aproveitar o momento e fazer tudo o que não se faz quando nos fazemos acompanhar dos nossos filhos. Visitar lugares sem respeitar horários, não cumprir rotinas, ter tempo a dois, comunicar sem interrupções, namorar…
Quando se gosta de viajar, juntar esse sentimento/desejo de aventura à pessoa que se ama é desentupir a válvula de escape, libertar a ansiedade, o stress, a rotina do dia-a-dia.







